“A vida e morte da margarida”, curadoria de Elisabete Belotto - Setembro 2009 - CCJPBoéssio/SL

 

Fazer arte. Viver a arte, viver de arte. Tarefas que cotidianamente nos fazem pensar e repensar nossas escolhas.
No mundo atual, visual e digitalizado, o que é capaz de nos mover para utilizarmos de suportes tradicionais para criarmos espaços de diálogos conosco e nossos semelhantes? Que motivação interna é essa que nos faz tomarmos nossos pincéis e tintas e com eles, a exemplo de nossos antepassados, deixarmos nosso registro impresso pictoricamente?
Temos à nossa disposição atualmente uma variedade de mídias utilizáveis capazes de nos dar respostas e retorno satisfatório imediato aos nossos projetos e propostas criativas. Basta “dominarmos a máquina”! Porém, o que ainda nos influencia para continuarmos de forma teimosa e de maneira tradicional a expressarmos nossas verdades interiores?
Acredito que, para muitos de nós, é preciso ainda sentir o prazer do contato. É ainda necessário tocar, cheirar, manusear o material. Misturar e escolher as cores, de definir os espaços que deverão ser pintados como forma ou pensados como fundo, a decisão de como trabalhar manualmente o assunto, o tema.
A artista Elisabete Belotto pertence a esta categoria: dos que ainda, apesar da tecnologia existente, necessitam expressar-se através de materiais tácteis. É contemporânea, ao pesquisar outros materiais a serem utilizáveis como suporte, como é o caso da lona de caminhão. É generosa, ao oferecer-nos a oportunidade de com ela participar de sua pesquisa e experienciar o material.
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